Homem foi apreendido por furtar cerveja e morreu após incêndio em cela.
Corregedoria abriu dois inquéritos para apurar o caso em Boituva.
A família do homem que foi detido por furtar latas de cerveja e morreu após um incêndio no colchão de uma cela no interior da delegacia da Polícia Civil de Boituva (SP), no sábado (23), questiona a ação da polícia e a morte do rapaz.
De acordo com a Delegacia Seccional de Itapetininga, o rapaz foi preso em flagrante após furtar um fardo com 12 latas de cerveja em um estabelecimento comercial da cidade. Ele foi levado para a delegacia, onde foi colocado em uma cela. Policiais relataram que, enquanto era feito o boletim de ocorrência do furto, o suspeito ateou fogo em um colchão na cela.
"Um fogo envolvendo até bombeiro em um edredom é meio estranho. Acredito que não tenha sido só no edredom. Então, é uma interrogação. O que mais pegou fogo? E quem realmente botou fogo? Será que tinha alguma coisa fora da cela?", questionou o irmão da vítima, Claudemir Ruivo de Queiroz.
A declaração de óbito entregue para a família apontou a causa da morte como asfixia por intoxicação de monóxido de carbono. A morte foi registrada às 20h do domingo (24).
A Corregedoria da Polícia Civil investiga a morte do detento e já abriu dois inquéritos, um administrativo e outro criminal, para apurar as circunstâncias da morte e indicar quem foram os responsáveis. O órgão explicou que o procedimento correto era que o preso tivesse sido revistado quando chegou ao local e que fossem retirados todos os objetos que pudessem oferecer risco a ele.
Segundo o irmão, a família está acompanhando as investigações. "Estamos acompanhando o caso, mas sem intervir no momento porque temos que aguardar os laudos e as investigações preliminares. Posteriormente, com a conclusão dessa fase, analisaremos como será a nossa postura jurídica", disse.
O advogado da família Robson Fidelis da Cunha afirmou, em entrevista , que a legislação determina que, no momento em que a pessoa é presa, está sob a cautela do Estado. "A autoridade tem que comunicar imediatamente o juízo competente e, em seguida, os familiares ou a quem eles indicarem. Isso acabou não acontecendo, porque a família só tomou conhecimento do fato após o óbito".
De acordo com a Polícia Civil, a prisão por furto seguiu todos os trâmites legais e que o suspeito estava sozinho na cela, que fica nos fundos do prédio da delegacia.
Segundo a polícia, uma equipe do Corpo de Bombeiros foi acionada e controlou as chamas. O suspeito foi socorrido e levado ao hospital, mas morreu por ter inalado fumaça.
Fonte; G1